quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A vista estava escura, a respiração ofegante. Ela piscou duas vezes antes que seus olhos se acostumassem com a escuridão. Após descer as escadas, procurou na parede úmida do porão um interruptor. Iria acender a luz, desistiu. O relógio vermelho em cima de uma mesa já um pouco apodrecida fazia um tic-tac ensurdecedor que, por um segundo, ela teve a impressão de que iria estourar-lhe os tímpanos. Caminhou lentamente, procurando baixar a respiração, cada passo ecoava em sua mente como uma explosão nuclear. Uma luz! Luz da lua, uma pequena janela, sua chance de escapar. Seus olhos percorreram o local, em uma busca desesperada por algo, qualquer coisa, uma escada. As mãos trêmulas seguraram a escada em uma falsa firmeza. O que se seguiu então foi um estrondo, aquela pesada última chance de vida escorregara-lhe infielmente das mãos. Ele ouviu, desceu as escadas, acendeu a luz. Ela correu como uma louca escondendo-se atrás de uma pilha de madeira, prendendo a respiração e as lágrimas, pensando em como seria lindo ver novamente a luz do sol depois disso. Foi aí que ela sentiu. A ponta da gelada arma atravessando grosseiramente as mechas de seu cabelo, o pavor dominou-a. Ele deve ter hesitado um pouco, pois ela foi capaz de ver duas vezes um filme de sua curta vida na mente, antes aquele som, o tiro, sua amarga sentença de morte, enquanto sentia o próprio corpo tombar lentamente no chão.
Marcadores: Melodrama, pessoalices também é cultura
Publicado por:
Mariana às 07:18
|| || Total: 15 Comentários